Quando começamos a pensar nestes últimos 1000 dias desde as últimas eleições autárquicas no conselho, qualquer um de nós consegue fazer um balanço equilibrado. Há coisas que estão a funcionar bem, outras que estão a funcionar mal e outras que não estão a funcionar.
Mas genericamente, e quem por lá está, sabe que metade do que tem sido feito, desde a reposição de uma simples pedra na calçada, até à demolição dos celeiros, ganha uma nova vida nas redes sociais. Desde o “faz o que se pode” ao “é tudo por ajuste direto”, qualquer simples, normal e regular intervenção dos serviços da autarquia ganha uma nova vida ao nível de grandes obras nacionais, sendo posteriormente ampliada pela comunicação social.
O que é certo é que toda gente com quem falo critica, mas parece que esta estratégia vai funcionando e ganhando fãs e seguidores.
Mas o que é certo no meio de todo esse reporte “social”, é que, apesar da grande quantidade de alcatrão, compra de terrenos e promessas de novas obras públicas, os problemas principais do Concelho continuam a não ser e a não estar resolvidos.
Os jovens continuam a sair do concelho, os idosos, cada vez mais idosos, e os restantes vão sobrevivendo por cá, aproveitando cada festival e festarola para esquecer que quem poderia ajudar a fazer alguma coisa para aumentar a sua qualidade de vida, promovendo o desenvolvimento económico, está mais preocupado em tirar fotos, ao sábado e domingo, de obras em estradas da autárquica e a partilhar no facebook.
Não consegui, ainda, encontrar resultados ou dados estatísticos sobre o novo polo de incubação de empresas; até consigo compreender que, numa estratégia de longo prazo, se uma destas startup tiver sucesso poderá criar emprego real em Almeirim, mas, no entanto, e olhando friamente para o tema, a taxa de sucesso das startup anda na ronda dos 10%, por isso não me parece real que, no curto prazo, seja a solução para o nosso concelho.
Como é possível um concelho que se encontra numa zona territorial central no país, com acesso rápido à auto estrada do Norte e do Sul e com comboio a 7km não conseguir ter uma única empresa de indústria (seja ela qual for) à exceção do abono de família da maior parte da terra, que é a Compal.
Não me parece difícil vender tendo em conta estas características, a novas indústrias que se queiram instalar.
Poderão dizer que não é fácil, e as indústrias não caem do céu. É verdade. No entanto, à semelhança do que tem sido feito pelo turismo em Almeirim, não poderia ser feito, do ponto de vista de atração de empresas? Não poderíamos nós ir ter com elas, falar, propor, negociar?
Uma coisa é certa, se nada for feito neste sentido, daqui a 1000 dias estaremos mais pobres, mais velhos e com menos futuro.
Firmino Serôdio
Partido Social Democrata
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