Para muitos nesta altura em tempos idos, as Vindimas faziam parte do quotidiano desta vila…(CIDADE né?). Por isso, recordaremos para quem viveu esses tempos em que a carroça com o latão cheio de uvas, nós piquenos com fateixas atadas a um cordel à surrapa roubavámos uns caxitos delas, as ruas porcas do mosto e um cheiro que até embebedava a quem o não bebia, muitas vezes os nossos Bombeiros andavam a lavar as ruas, a descarrega diária junto a janelas que tinham um lagar e a ciroulhita arregaçada e a camisa emporcada que era a veste do trabalhador que ia pisando até ao sol-posto onde muitas vezes quando íamos espreitar para ver como era de repente disparado de lá de dentro um cacho de arremeço que nos acertava na funça, e lá íamos todos sujos para casa. Os Homens eram como o vinho: todos começavam como uvas. Cabia às mulheres amassá-los, pisá-los e enclausurá-los até que amadurecessem! As Mulheres também eram como o vinho: com o passar dos anos umas refinavam o sabor, outras azedavam. As que azedavam, era por vezes por falta de uma boa rolha! Ainda hoje….ha destes proverbius….

FILOSOFUTINTUS E PROVERBIUS BRANCUS:

A BOM OU A MAU COMER… TRÊS VEZES VINHO BEBER
Provérbio popular associado a momentos festivos e que significa a necessidade de beber ou brindar com vinho puro, sempre três vezes, independentemente da qualidade da comida. O mais importante de facto é salientar o ato social de beber. “Óh J´quim… bazaaí mais um… mas cheio porque ê na sê contar!”

AO BOM AMIGO, DÁ O TEU PÃO E O TEU VINHO
Ao bom amigo devemos sempre servir o nosso pão e o nosso vinho (aquele que é produzido em nossa casa). ”Em tempos até a patroa era oferecida, quando o dono ‘tava c’a bezana”.

ATÉ AO LAVAR DOS CESTOS, AINDA É VINDIMA
Provérbio popular que nos transmite a ideia de lutarmos até ao fim por uma causa (não confundir com o 25 de Abril). Até ao final pode-se mudar o rumo dos acontecimentos. Provérbio apelativo e incentivador da necessidade de persistir até ao fim… “Quer`se`dezer… até cair p`ró lado mas sempre teimoso e cheio de sede”.

CADA “BUCHA” SUA PINGA
Cada comida tem sempre a sua bebida a acompanhá-la. No imaginário popular, os homens não se imaginam a comer sem terem algo a acompanhar (de preferência vinho na maioria dos casos). E por norma, 2 azeitonas, por 2 litros de vinho… se calhar é muita azeitona, né?

O PÃO PELA COR E O VINHO PELO SABOR
A qualidade do pão aprecia-se depois de cozido, pela sua cor e aspecto. O vinho só pode ser apreciado pelo seu inconfundível sabor. E na parte final quando chamamos pelo “Gregório”… Vem tudo atrás e misturado e ‘tá tudo dito”.

O VINHO FAZ BEM AOS HOMENS, QUANDO SÃO AS MULHERES QUE O BEBE
Provérbio popular que nos diz uma coisa muito simples: se não ingerir Vinho, de certeza que este não lhe fará mal. Aqui é utilizada a figura da mulher, em certo tom jocoso, para troçar de uma situação (as bebedeiras) frequentemente associadas ao elemento masculino no imaginário popular do povo português. Mas na realidade, é giro ver uma mulher bêbeda, hoje em dia… venham elas, as Camilas da altura e de hoje!

 

Augusto Gil