Home Opinião CARTA (não ao Pai Natal mas) ao Amigo FRANCISCO

CARTA (não ao Pai Natal mas) ao Amigo FRANCISCO

CARTA (não ao Pai Natal mas) ao Amigo FRANCISCO

Amigo FRANCISCO
A fraternidade vive-se e sente-se, e como tal, sei bem que fazemos parte da mesma irmandade de valores, aquela que partilha e defende a dignidade e respeito das pessoas por igual, num universo humano bem mais lato que o dos crentes. A tua presença simples, relutante à riqueza e ostentação, é um constante convite à aproximação, para te encontrar numa qualquer rua e te tratar por tu, como se tivessemos uma amizade estreita e de longa data, tão genuína como a verdade
das palavras levadas à prática, sem oratória palavrosa e ôca.
Despido de dogmas e ostentações afrontas sem receios ou tibieza as questões reais dos homens, do mundo e sociedade desestruturada que vivemos, de guerras, fome e atrocidades, de desigualdades e injustiças sociais gritantes, de desumanidade. A tua postura traz consigo a vontade de regeneração de comportamentos, da verdade do humanismo cristão, na defesa dos mais fracos e humildes , avesso à hipocrisia dos compromissos silenciosos com o poder, aberto muito para além da caridade para salvação das almas à solidariedade emancipatória da pessoa humana e de todos como iguais.
Gostei de te ver e ouvir no Parlamento Europeu a lembrar aquela maioria de deputados, apáticos burocratas e senhores do poder, que as pessoas estão primeiro que a economia pura e dura; que a presente subserviência à economia financeira mundial não é boa e que descamba em permanentes desumanidades sem recurso.Sabemos bem como as guerras são feitas por homens de poder, em armas e dinheiro, e como atrás delas se escondem os interesses petrolíferos, as indústrias de armamento e outros inconfessáveis interesses financeiros e as tais poderosas agências económicas aparentemente sem rosto, bastidores classistas de controlo mundial, num acumular insaciável de riqueza, exploração dos mais fracos e indefesos, usurpadores da liberdade e soberania dos povos de todos os continentes. Só a tua coragem e frontalidade se permite dizer perante os decisores europeus, fechados sobre si próprios, entorpecidos
e pessimistas: Acorda Europa!
Revigora a energia e capacidade que fez de ti farol da cultura e da civilização!Protejam-se os idosos, os trabalhadores, os pobres, as minorias perseguidas, os milhões de crianças necessitadas de alimentos e instrução.E com sublinhado: É necessário agir sobre as causas e não apenas sobre os efeitos!…
Como bons amigos, que sabem ouvir-se e debater, temos opiniões diversas em muitas aspectos, em particular sobre questões religiosas, mas sei bem da tua tolerância para com o humanismo agnóstico que pratico, de igual modo tolerante. Por hoje fico por aqui.
Desejo-te um Bom Natal ,não limitado à quadra festiva, que deusifica o dinheiro e o consumismo,
mas o Natal como renascimento diário e contínuo ao longo do ano, que eleva e fortalece o amor ao próximo e os valores espirituais. Um grande Abraço.

 

Elias Rodrigues