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Morreu Fernando Pereira

Morreu Fernando Pereira

Durante muitos anos foi sempre o primeiro a fazer-se à estrada com um largo sorriso e disposição contagiante.
Muito antes do frenesim de cada etapa marcava o percurso para o pelotão e toda a caravana. Curvas, rotundas, cruzamentos, etc, tudo era assinalado com detalhe pelo “Sr. Pereira” que nos últimos 13 anos foi responsável pela marcação dos trajetos e pela sinalização da Volta a Portugal em Bicicleta.

Fernando Pereira, bem-disposto por natureza, deixou de sorrir esta terça-feira aos 69 anos, vítima de doença prolongada. O corpo está em câmara ardente na Igreja de Santo Eustáquio, Alpiarça, onde se realizará o funeral, esta quarta feira, 16 de abril, às 14h00.

Fernando Pereira nunca praticou ciclismo apesar de nascido em Alpiarça, no distrito de Santarém, com fortes tradições na modalidade, mas depressa se viu envolvido pelas duas rodas. Na pista, às portas de casa, viu os grandes ídolos da época e, em 1973, decidiu fazer um curso de cronometrista. Em 1976, a Federação Portuguesa de Ciclismo propôs-lhe a criação da Associação de Ciclismo de Santarém e, desde então, esteve sempre ligado à modalidade ou como dirigente ou comissário.

Da primeira Volta a Portugal que em participou, em 1978, gostava de recordar a estreia da subida à Senhora da Graça e um engano de percurso na Figueira da Foz que proporcionou um dos mais caricatos episódios da história da Volta. Por falta de sinalização, o carro na frente conduziu um grupo de fugitivos por caminho errado e no fim da etapa deu de caras com o pelotão em plena reta da meta. Cada grupo atacou a linha de chegada em direções opostas para grande espanto do público e desvario dos responsáveis da prova.

Talvez esse episódio alheio lhe tivesse aguçado o sentido de responsabilidade e a exigência perfecionista para mais tarde se tornar imprescindível na marcação e sinalização de percursos de muitas provas de ciclismo quando a profissionalização chegou às estruturas organizativas. Fernando Pereira afirmava sempre entusiasmado que com ele a liderar esse processo “nunca ninguém se enganava no caminho para a meta.”A afirmação era convicta, mas em tom brincalhão depois de se recordar do episódio da Figueira da Foz. Com tantos quilómetros percorridos, afirmava que poucos conheciam o país como ele. “Acho que não há um concelho de Portugal Continental onde eu não tivesse ido com o ciclismo.”