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Duas gerações… Diferentes formas de amar

Duas gerações… Diferentes formas de amar

Dia dos Namorados, ou Dia de São Valentim, era até há algumas décadas, apenas festejado em países anglo-saxónicos, mas ao longo do século XX, espalhou-se pelo mundo.

Bilhetes, rosas vermelhas, bombons, perfumes, peluches e a figura do Cupido, são alguns dos símbolos marcantes desta data.

A tradição remonta ao século III d.C., quando o Imperador romano Claudius II proibiu os casamentos em época de guerra, por acreditar que os solteiros eram melhores combatentes. Valentim, um sacerdote que não concordava com esta medida, continuou a celebrar casamentos, até ser descoberto e condenado à morte.

Enquanto aguardava o cumprimento da sua sentença, Valentim apaixonou-se pela filha cega de um carcereiro e, reza a lenda, que milagrosamente lhe devolveu a visão. No dia da sua execução, Valentim escreveu-lhe uma mensagem de despedida, na qual assinava “Do namorado, Valentim”.

Foi mais tarde considerado mártir pela Igreja Católica, e o dia da sua morte, 14 de fevereiro, uma data de comemoração ao amor.

 

Mélissa Fulgêncio, de 18 anos, e Tiago Tacão, de 17, conheceram-se há 8 anos no Rancho Folclórico de Fazendas de Almeirim. Nunca se consideraram mais do que simples colegas mas, há cerca de 7 meses, meteram todas as discórdias de lado, e começaram a namorar. A oficialização do namoro foi há 4 meses, com a aprovação das famílias: “As nossas famílias sabem e ambas aceitaram o nosso namoro.”

Estes jovens consideram-se um casal moderno que não perde uma oportunidade para namorar. Tal como afirmam, “estamos juntos todos os dias, encontramo-nos depois das aulas, e aos fins de semana saímos juntos”. Na impossibilidade de se encontrarem, admitem que o telemóvel e a internet são uma grande ajuda. Tal como a maioria dos casais, já têm planos para o Dia de S. Valentim, e estes passam por um almoço romântico e uma tarde de cinema.

E, apesar de ainda estarem na fase da adolescência, também já têm planos para o futuro: “Queremos terminar os nossos cursos, arranjar um trabalho para ter algum dinheiro para constituir família, ter uma casa, e dar uma boa qualidade de vida aos nossos filhos, tal como nos deram a nós”.

 

Elvira e Manuel juntos há mais de 50 anos

Elvira Marmelo e Manuel Fernando conheceram-se ainda adolescentes. Ela tinha 15 anos e ele mais quatro. Não namoraram à janela porque a casa de Elvira não tinha janela virada para a rua, mas namoram ainda durante algum tempo na cozinha dos pais de Elvira. Contatados telefonicamente pelo nosso jornal, foi Manuel Fernando que atendeu a chamada. Explicada a razão do nosso telefonema, simpaticamente disse que sobre este tema o melhor era falar a mulher. E assim foi… Elvira contou orgulhosamente que “foi o único homem da sua vida”, que começou logo a gostar dele e que foi ela quem pediu em namoro”. Se foi mesmo assim, o que é certo é que com a família cumpriu-se a tradição.

Fernando falou com o pai de Elvira e pediu a filha em namoro, mas na altura disse que “ah está bem mas deixa-a crescer”, descreve com um sorriso Elvira.

Já passaram mais de 50 anos juntos e, como todos os casais, têm divergências e problemas, mas acima de tudo “há amor e respeito”. Elvira deixa mesmo um conselho aos mais novos: “saibam compreender-se, perdoar, gostar … mas acima de tudo respeitar-se para viverem 50 anos de casados como eu”.

 

Ana Teresa Lopes